Acabei de voltar de uma sessão no Belas Artes do belo filme estrelado por Mickey Rourke, O Lutador – ou simplesmente ‘The Wrestler.’ Não sei se Rourke faz juz ao prêmio de melhor ator, já que boa parte daquilo parece ser ele mesmo, ou talvez seja até isso que o tenha dado o prêmio. Rourke certamente dá credibilidade ao personagem e é ajudado um bocado pela câmera que nos mostra as costas dele por um bom tempo. Parece um daqueles jogos em primeira pessoa. Marisa Tomei está fantástica no papel. Não me lembro de algum filme mostrar striperes de um jeito tão terno antes, mesmo com os toplesses que ficaram tão naturais que você acaba esquecendo deles.
Bom, agora por que o título de anti-rocky? O filme é bastante parecido com Rocky Balboa no sentido em que mostra alguém querendo de volta a glória do passado mas, ao contrário de Rocky, o que temos é um homem que simplesmente desiste da vida. Balboa tenta mostrar que ainda é o homem que era. Que ainda pode viver de cabeça erguida. Randy, o personagem de Rourke, ao contrário usa sua última luta como um canto do cisne. Ele já não tem absolutamente nada a perder: não tem quem o ame, não tem família ou emprego, apenas a glória do passado.
Algumas cenas são bastante marcantes: uma é quando ele anda pelos corredores de manutenção e estoque do supermercado onde trabalha e podemos ouvir os gritos e palmas da torcida que ainda é viva na lembrança de Randi, apenas para sumir ao entrar na área do açougue. Uma outra quando vê companheiros do passado mutilados e ignorados numa tarde de autógrafos. Referências ao passado e seu próprio anacronismo ainda estão na cena em que convida um garoto da vizinhança para jogar seu nintendo…
Enfim, valeu certamente o ingresso e a viagem. O filme termina do jeito que devia terminar e, se você assistir, deve chegar a essa conclusão também.





