Acho que não poderia escrever com propriedade uma “história do natal”, dizendo como apareceu ou que decidiu que seria nesse ou naquele dia. Também me sinto despreparado para escrever sobre a simbologia ou importância cósmica da data em si. Depois de ruminar algumas idéias decidi por escrever sobre minhas memórias de Natal.
Quando pequeno, passávamos as noites e dias de natal em casa de parentes. Lembro que era sempre uma festa grande, onde reuníamos toda a família de minha mãe (vários irmãos e irmãs e tios e tias e primos e primas e por aí vai) para “passar a noite.” Não é como se não nos víssemos com freqüência e fosse realmente uma re-união no sentido de estarmos separados há muito tempo, mas nos juntávamos para celebrar.
Lembro de ouvir músicas das mais diversas e comer demais e correr por entre as pernas dos adultos ou pelas ruas com meus primos e brincar até cansar. Lembro de ser convidado à casa de vizinhos de meus primos para ver o Papai Noel e ganhar doces de um senhor magricela vestido de vermelho. Acho que nunca tivemos um Papai Noel gorducho. Perto da meia-noite éramos chamados de volta à casa para a contagem. Ás vezes um de meus tios ou tias puxava uma oração em agradecimento mas isso dependia do anfitrião. À meia-noite nos abraçávamos e beijávamos e logo depois (ou seria antes? Não me lembro bem), fazíamos o amigo-secreto da família. Ah como eu adorava aquilo. Posso dizer que esperava o ano inteiro por aquilo. Lembro que uma vez ganhei um helicóptero de uma série de TV e andava “voando” com aquilo pela sala por horas.
O dia seguinte não era menos excitante. Geralmente dormíamos em casa de algum dos primos enquanto nossos pais voltavam para casa. Ao acordar, logo voltávamos à casa de antes para mais festa. Era a hora do almoço de natal onde comíamos mais ainda e corríamos e íamos à rua pedir dinheiro aos que passavam na rua pelo dia de Natal (também fazíamos isso no ano novo!). Depois do almoço jogávamos tômbola, ou loto ou o que seja. A família toda participava e, às vezes, ganhávamos um bom dinheiro. Lembro-me quando meu irmão, num dia desses, fez a ‘tinqüina’ (uma linha na cartela, para quem não sabe) e eu fiz a cartela. Ficamos felicíssimos.
Acho que o Natal começou a esfriar para mim quando o amigo-secreto acabou. Eram tempos de crise e as coisas nunca mais foram as mesmas. Deixamos logo depois de nos juntar na casa de alguém. Fomos crescendo e perdendo contanto com todos. De vez em quando um dos tios intima a todos a passar o natal lá mas não é a mesma coisa. As coisas mudaram, as pessoas mudaram, e eu tenho sempre a sensação de estar rodeado de estranhos. Aquelas pessoas, por algum motivo, não são as pessoas com quem passei tantos natais e com quem corri pelas ruas.
Já adulto tentei reacender a chama natalina em mim, mas sem grande sucesso. Já não queria grandes festas ou estar com aquelas pessoas. Ficava com meus amigos. Lembro-me de um Natal impagável em que eu, meu irmão, Felipe e Calebe passamos a noite num bar, de frente para o shopping, bebendo cerveja e conversando sobre nada. Lembro que me senti muito bem naquela noite. É certo que eram tempos mais sombrios pessoalmente.
Hoje estou aqui com vocês. Deve ser meu segundo, ou terceiro Natal como unitário-universalista e me sinto bastante bem. Não montei uma árvore não sei o motivo e estou ainda tentando descobrir como é esse natal uu, mas estou feliz por estar com amigos queridos que tanto significaram para mim nesse ano.
Não sei se vocês conhecem uma música chamada White Christmas. É a música mais popular e famosa do cancioneiro natalino norteamericano. Foi composta em 42 por Irving Berlin e fez muito sucesso entre os soldados na guerra e suas famílias que os esperavam em casa. Eu coloquei a letra a seguir.
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I’m dreaming of a white Christmas I’m dreaming of a white Christmas I’m dreaming of a white Christmas |
Estou sonhando com um Natal branco Como aqueles que costumava ter Onde o alto das árvores brilham e as crianças ouvem Para escutar sinos de trenó na neve
Estou sonhando com um Natal branco Em cada cartão de Natal que escrevo Que seus dias sejam felizes e brilhantes E que todos os seus Natais sejam brancos
Estou sonhando com um Natal branco Em cada cartão de Natal que escrevo Que seus dias sejam felizes e brilhantes E que todos os seus Natais sejam brancos |
Sabe, admito que alguns podem não gostar dessa música particularmente mas, para mim, é a que sempre me traz um sentimento muito bom nessa época. Sei que não temos natais brancos no Brasil e que podia ter escolhido alguma música brasileira mas confesso que não sei nenhuma. Acho que o me chama a atenção nessa música em especial é a idéia de lembrar-se dos Natais de outrora onde esperávamos pelo Papai Noel e tínhamos aquela inocência pueril e desejar que todos os Natais, nossos e de nossos amigos, sejam repletos desses sentimentos puros.





01 – Post fantástico, cheguei até ouvir sua voz dentro da minha cabeça como se fosse uma releitura de muitos natais meus;
02 – Porque as famílias deixaram de se reunir no natal? e porque se reunem apenas em velórios e casamentos (e às vezes nem isso…)? ;
03 – PQP! tinha até esquecido que jogava Loto, jogava tanto, era muito louco!
04 – Tb tenho esta sensação de estar com estranhos quando vejo meus parentes (o pior é que a sensação surge em qualquer época do ano! rs*);